segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Traje Académico: a verdade dos mitos




Para muitos alunos, a praxe é um dos símbolos que caracteriza as academias de ensino superior, a nível nacional. A rebolar, de olhos no chão, a cantar ou a gritar estão os caloiros, alunos do primeiro ano. Com a capa a esvoaçar, ou simplesmente traçada como sinal verde para ordenar actividades aos caloiros, estão os doutores. A divisão é fácil de perceber. No entanto, para os alunos com três matrículas, os doutores, há uma preocupação acrescida na hora de praxar ou participar nas actividades da Academia: o traje. Por detrás de um simples tricórnio, uma capa ou até de um casaco, há uma série de supostas regras que os jovens têm sempre em atenção. Quando confrontados com a obrigatoriedade de certos elementos no traje, não revelam estar totalmente dentro do assunto, mas preferem seguir à risca o que vão ouvindo dos amigos.

Entre as regras que os alunos pensam ser essenciais estão:
  • O comprimento das mangas do casaco deve ser inferior às da camisa;
  • O número de emblemas a colocar na capa deve ser ímpar;
  • A capa deve arrastar no chão;
  • Tricórnio de arame tem de ser usado pelos alunos de engenharia;
  • Os três primeiros emblemas da capa devem corresponder ao nome do curso do aluno, à sua cidade e ao seu país.
Na Universidade do Minho, os alunos mostram conhecer todos os princípios para estarem bem trajados e seguem-nos praticamente de forma religiosa. Quem não cumpre as alegadas regras associadas ao traje é alvo de crítica. Letícia de Sousa, aluna do 3ª ano do Curso de Ciências da Comunicação, afirma estar arrependida por ter comprado o tricórnio de arame, pois os seus colegas asseguram que a aluna parece "um bocado engenheira”. A finalista explica, ainda assim, que cumpre outras regras por superstição ou por aconselhamento dos amigos. Refere que usa “o número ímpar de emblemas” porque há muita “gente que diz que dá sorte”. Manuel Figueiredo, também aluno finalista de Ciências da Comunicação, acrescenta que para quem não quiser ter a capa totalmente preta, “é obrigatório o uso dos três emblemas: da cidade, do curso e do país”.

                                           (Foto: Doutores de Ciências da Comunicação 2010)

Para os funcionários das lojas de trajes, as regras que preocupam os estudantes são simplesmente um conjunto de mitos e, ainda, desleixo na leitura do código de praxe. Cláudia Duarte, da loja “A Toga”, afirma que são vários os alunos que "passam o código de praxe à frente” e não esclarecem o que é dito pelo “boca-a-boca” que circula pela maioria dos estudantes. Em relação ao tricórnio de arames que já foi motivo de embaraço para Letícia De Sousa, Cláudia esclarece que “é perfeitamente mito”. O tricórnio de arame é associado, então, aos engenheiros devido ao facto de estes alunos desde sempre terem a “tendência de o deformar” e não o manter tão rectilíneo, acrescenta a comerciante.

Quanto ao tamanho das mangas da camisa e do casaco, ao número e tipo de emblemas e ao comprimento da capa, os alunos também não precisam de respeitar nenhum requisito. “A opção é dos estudantes”, afirma Jorge Faria, funcionário da retrosaria “Os Farias”. O comprimento da capa também não pode ser levado em consideração. Cláudia Duarte esclarece que "tem a ver com gostos". A comerciante afirma que "não existe comprimento obrigatório" para a capa, no entanto, na opinião de Cláudia, "fica mais bonito" quando os alunos traçam a capa e esta fica na zona do sapato. "É mais um mito", conclui.  


Mais curiosidades sobre o traje académico:
 


Sem comentários:

Enviar um comentário